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segunda-feira, 27 de abril de 2009

viagem gastronômica através do brasil - indicação de livro

Em pleno domingo fiz algumas buscas ou viagens virtuais a procura de novos pratos para a reunião do "umbigos recostados na mesa" às terças no Cimples Ócio, encontrei este blog e surrupiei o texto. Já tinha lido algumas coisas sobre o livro. É salgado (rsrsr) custa R$ 95, mas que vai adocicar e agregar valores historicos e comensais.

indicação de livro: viagem gastronômica através do brasil
(texto de Kátia Najara (Katita - http://www.rainhasdolar.com/)
de Caloca Fernandes (é macho!) É uma prova incontestável de que a gastronomia é dado cultural da maior importância. a generosidade da natureza para conosco, propiciando infindáveis recursos, e a inventividade do nosso povo, desde a chegada de cabral, resultaram na criação de pratos de inigualável sabor advindos de todos os cantos do país.
O livro é organizado por regiões (a cara do nosso blog). cada qual apresenta os seus quitutes mais característicos, lindamente ilustrados por fotografias enormes que parecem que vão saltar do livro, de tão vivas que são, de nossas feiras, insumos, peixes, frutas e cultura gastronômica popular.
A alimentação indígena, somada à contribuição portuguesa, à africana, um pouco da história dos nossos insumos mais característicos, como o milho, a mandioca, o feijão, o arroz, a carne-seca, o acúcar e o café, introduzem a viagem que começa pelo norte, com pato no tucupi, maniçoba, musse e brigadeiro de açaí, tacacá, beiju, pudim de tapioca, torta de cupuaçu, e tantas outras delícias à mesa.
Chegando ao nordeste, a dieta inclui as peixadas e o arroz de cuxá do maranhão, o atolado de caranguejo e a queijadinha do ceará, o bolo de rolo, a paçoca de carne, o arroz de leite e a galinha de cabidela pernambucana, até os beiços lambuzados de dendê pelo acarajé, efó, moquecas, bobó, vatapá, caruru, arroz-de-hauçá, carne-de-sol com pirão de leite, cuzcuz, mingaus, bolos de carimã e quindins de iaiá de sobremesa, aqui da bahia.
O centro-oeste nos ensina a fazer escabeche de pacu, caldo de piranhas, linguiça de maracaju, arroz com guariroba, pamonhas, arroz de pequi e arroz de puta rica, que já vale a pena só pelo nome.
O sudeste tem a contribuição do clássico tutu de feijão, angu e broinhas de milho de minas; a autêntica feijoada, o bolinho de bacalhau, o camarão com chuchu e a caipirinha cariocas;
De São paulo, o cuzcuz paulista, o filé do moraes, as rãs à inezita barroso, os pastéis de palmito, farnel, bolo do quibebe, e goiabada cascão de sobremesa.
O sul fecha o cardápio com barreado, tainha na telha, arroz de carreteiro, galeto al primo canto, vinho quente e ambrosia.
Esse livro é emocionante e fica muito bem largadão em algum lugar da casa de tão lindo que ele é. Penso tratar-se de leitura obrigatória para todos nós que gostamos de comida e história do brasil.
Senac - São Paulo. capa dura, 30cm X 23cm. 95 pilas.
fonte:http://www.rainhasdolar.com/

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Alex Atala e o sociologo Carlos Alberto Doria - Cimples ocio dicas de livros


Segue outra dica, que em alguns tópicos discute a real origem da culinaria brasileira. Postei apesar da velha moda de usar nomes para vender livro, mas trabalha um pouca com o que pretendemos que é vivenciarmos (comendo e fazendo! ou vice-versa) e sabermos mais da historia da gastronomia brasileira.

"Outra novidade é Com Unhas, Dentes & Cuca – Prática Culinária e Papo-Cabeça ao Alcance de Todos, escrito pelo chef Alex Atala e o sociólogo Carlos Alberto Dória. O título foi uma sugestão de Atala. “Com a mão é que a gente cozinha, com a boca é que a gente come e é com a cabeça que a gente pensa. São as três fontes que a gente pesquisou durante esse processo”, explica. Trata-se de uma reflexão sobre o futuro da gastronomia clássica e moderna. Não há receitas, porém os autores dão dicas e discorrem sobre algumas técnicas para cozinhar a baixas temperaturas ou a vácuo, para fazer sorvetes de um jeito mais simples etc. Também é discutida pelos autores a real identidade da cozinha brasileira.
Com Unhas, Dentes & Cuca – prática culinária e papo-cabeça ao alcance de todos
Preço estimado: 60 reais"
Viviane Zandonadi e Renata Rodrigues
fonte: Veja São Paulo - Turismo e Gastronomia
foto: veja São Paulo

Comida e filosofia - Cimples Ocio - dicas livros

Minha pretensão é que os Umbigueiros (Umbigos recostados na mesa do Cimples Ócio) sem muita frescura torne-se semanalmente um grupo de estudos da culinaria brasileira. Toda terça já bebemos e comemos bem, além de ouvirmos boa musica brasileira - choros e sambas. Esta dica de livro é para ampliarmos ou abrirmos mais frentes de ideias.

A Cozinha do Pensamento
Das prateleiras de livros que tratam de comida, pinçamos uma peça muito interessante chamada A Cozinha do Pensamento
- Um Convite para Compartilhar uma Boa Mesa Com Filósofos
Autor: Josep Muñoz Redón, escritor e professor espanhol
Preço médio: 45 reais, da editora Senac
É um livro que relaciona filosofia e gastronomia e que em suas páginas conjuga os verbos comer, pensar e amar. Para o autor, a gastronomia é a arte de condimentar os alimentos para produzir felicidade. Já a filosofia é o engenho de cozinhar idéias para obter perguntas.Há, na avaliação de Redón, três maneiras de comer e três modos de viver.
1. comer de tudo até saciar-se
2. selecionar os alimentos e transformá-los em algo nutritivo e que ao mesmo tempo acaricie nossos sentidos
3. degustar coisas novas, nunca antes saboreadas pelo paladar humano
Com base nessas afirmações, são traçadas breves biografias de grandes pensadores. O fio condutor de cada capítulo é a forma como esses filósofos se relacionavam com a comida.
Uma curiosidade: os capítulos são distribuídos de acordo com a percepção dos sabores:
- na ponta da língua, notamos as coisas doces
- as salgadas são percebidas em toda a superfície
- na parte posterior, sentimos o armargor dos alimentos
- nas laterais, percebemos a acidez
Na ponta da língua está, por exemplo, o doce do Pitágoras. O mel. Elemento-chave de seu cardápio.Ele era vegetariano.
Entre os preceitos que tinham a ver com comida, verdadeiros mandamentos como 'não coma o coração, não coma favas, não coma louros, não mate frangos, abstenha-se de comer seres vivos'.
Com uma postura muito próxima do que conhecemos como espiritismo, ele acreditava que a alma humana poderia reencarnar em qualquer ser vivo -- daí afastar-se do consumo de proteína animal, por exemplo, e até de alguns vegetais. O mel e as frutas, no entanto, eram os alimentos preferidos e os mais valorizados na dieta pitagórica, se é que podemos chamar assim.Diz o autor em seu livro que o mel deve até ter contribuído para o desenvolvimento da matemática. "O mel, sem dúvida, é o alimento energético por excelência. A espetacular ação positiva que exerce sobre o organismo deve-se a componentes como os açúcares, poderosos catalisadores capazes de liberar a energia... O simples consumo regular de mel exerce uma ação positiva sobre os corações castigados pelo estresse..."Ao fim de todos os relatos, há sempre uma receita construída com base no cardápio de cada filósofo. No caso de Pitágoras, o prato oferecido é maçã e pera ao mel com amêndoas e pinhões, servido morno.

fonte: Veja São Paulo

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Cimples Ocio - Culinaria e Camara Cascudo

O Cimples Ocio tem algumas pilastras para existir como espaço cultural. O estudo da culinária brasileira é uma delas. Sabor, simplicidade. Segue alguns trechos do livro para quem quiser se aprofundar ou somente matar a curiosidade. São depoimentos/colaboração sobre diversos assuntos da culinária nacional.
Camara Cascudo:
"No primeiro volume da Historia da alimentação no Brasil (Brasiliana-323, S. Paulo, 1967), expus o fundamento, raizes permanentes do cardápio tradicional na participaçãp indígena, africana e portuguesa, quando o Brasil organizava a sua existencia coletiva ..."
"Este livro evoca alguns aspectos de nossa alimentação sob os vários ângulos de fixação histórica, etnográfica, literária, social ... "
"Alimentação, e não nutrição"
"Tentei lembrar um pormenor desprezado na investição alimentar, sobretudo nos States. Quem faz a comida tempera ao seu paldar. Paladar corresponde ao Timbre, fisionomia da Percepção. O povoador português comeu das mãos indígenas e africanas mas a mulher portuguesa apareceu e plasmou a cozinha colonial à sua imgaem e semelhança. Iniciou o complexo do Sal. "tempero é o Sal" "Boa mão no Sal", apregoava a excelência em que nos viciamos".
"Não esqueçam as donas de casa que o sal para a cozinha, à disposição das cozinheiras, deve ser o sal grosso, meio esverdeado, feio, e não o sal refinado, alvo, elegante: o sal grosso é o unico que contém os traços de arsênico, de que não podemos absolutamente prewscindir apara a manutenção da nossa saude. "
fonte: Biblioteca Publica do Parana -
- livro: Antologia da alimentação no Brasil
organizado por Luis da camara Cascudo - Rio de Janeiro, 1977 (raizes do Brasil)