Mostrando postagens com marcador bebidas do Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bebidas do Brasil. Mostrar todas as postagens

domingo, 21 de agosto de 2011

Cerveja caseira - pode? Com certeza, deve!

Olha ai um povo que meteu a mão no mosto:
http://pridebeer.blogspot.com/2009/06/pride-beer-cerveja-artesanal-cerveja.html

Algumas dicas e caminhos para tentarmos elaborar uma boa cerveja caseira e um guia de blogs que tem a cerveja como foco.
http://www.hominilupulo.com.br/recomendamos/blogs-de-cerveja/
video: 
http://www.hominilupulo.com.br/video/teaser-da-entrevista-com-cervejeiro-caseiro-bernardo-editor-homini-lupulo/

Mais:
http://www.comofazercerveja.com.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=11
Pequeno trecho:
COMO FAZER 25 LITROS DE CERVEJA PALE ALE (100% MALTE PILSEN)
Esta forma de preparo é uma receita já muito utilizada por diversos iniciantes na fabricação de cerveja. Ela foi testada e aprovada por diversas pessoas, portanto é uma forma mais garantida de começar. Com o tempo, você mesmo vai alterar alguma coisa ou incorporar outros conhecimentos adquiridos com suas leituras adicionais.
Se você é daquelas pessoas que já pesquisaram muitas maneiras de fazer cerveja, com certeza algumas coisas que você verá aqui podem ser diferentes do que está escrito. Ressaltamos que é muito importante seguir as temperaturas e os tempos de cada parte do processo. Isso vai garantir o sucesso da sua primeira cerveja.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Café

Até os meus 49 anos praticamente não tinha tomado café. Nunca tive a mania ou hábito do cafezinho ou tomar café puro pela manhã, no máximo uns 10 cafezinhos na minha vida toda e pela manha alguns cafés-com-leite, mais leite do que o pretinho. De uns tempos para cá comecei a pensar e cheirar o pó de cafe e outras coisas boas no quesito cheiro, gostar de esssencias e dos cheiros de temperos de comida, etc, mas continuava não tomando café e não tendo a menor curiosidade no seu preparo correto. Há 2 anos comecei tomando um forte e sem açucar no Mercado Municipal aqui em Curitiba e há uns 3 meses comprei um pacote de 500g de um extra-forte comercial - tomo 2 ou 3 vezes por semana e hoje comprei um coador de pano. Vou estreiar e dando uma olhadinha na WEB achei um texto legal, vejam lá:
O velho coador de pano que nossas avós usavam muito antes de surgir o filtro de papel também faz deliciosos cafés. E o café assim filtrado possui muitas receitas, algumas regionais são bem interessantes e saborosas, mas vamos falar do cafezinho tradicional.

Um cuidado inicial: todo coador de pano novo deve ser fervido antes de ser usado porque normalmente o tecido vem com uma goma que além de alterar o sabor do café pode ser prejudicial. Outro cuidado básico é com o coador depois de usado. Ele jamais deve ser lavado com detergente ou alvejante, pois qualquer excesso fica em suas tramas e depois se dissolvem no café que será bebido. Já imaginou que sabor horrível? Então coador de pano lavar só com água em abundância.
Cuidados tomados agora é preparar. Um dos métodos antigos usa dissolver o pó do café no bule um pouco antes da água ferver. Água fervente não combina com café. São 5 a 6 colheres de sopa para um litro da bebida. Depois que se coloca o pó na água quente, mexe-se com uma colher de pau até fazer um creme na superfície. Essa colher de pau só deve ser usada para fazer café, é claro. Depois é passar pelo coador, e pronto. O outro método é o padrão. Coloca-se o pó direto no coador umedecendo todo o pó e depois vertendo a água em fio até terminar.
Uma dica: se quiser manter o café quente na xícara por mais tempo, escalde-as antes com água fervente. A xícara pode.
Esse café tem gostinho de interior. Hummmmmm!!!!!
fonte: http://www.viladoartesao.com.br/blog/2008/07/cafe-no-coador-de-pano/
foto: do blog do texto.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cachaça - algumas breves considerações II

Segue lista para curiosos sobre o assunto:

internet:

http://www.pingaiada.alfenas.net/
(Imperdivel site do guiness record - Messias - a maior coleção de cachaças do mundo, traz muita informação e fotos da coleção - credito das fotos deste postagem) 
http://www.barfilial.com.br/
(entre no icone "cachaças" e conheça diversas marcas)
http://www.cachacas.com/

literatura:

Cachaça, o mais brasileiro dos prazeres – Jairo Martins da Silva – Editora Anhembi Morumbi
Cachaça, a bebida brasileira – Erwin Weimann – Editora Terceiro Nome
Cachaça Artesanal, do alambique à mesa – Atenéia Feijó e Engels Maciel – Editora Senac Nacional
Cachaça, um amor brasileiro – Alessandra Garcia Trindade – Editora Melhoramentos
O mito da cachaça Havana – Roberto Carlos de Morais Santiago – Edições Guatiara
- materia no NY times:
ww.cachaca.com.br/FrmNYT.html
fonte: http://www.cachacas.com/

Historia da considerada melhor cachaça do Brasil


Seu salário
é uma garrafa
de cachaça

- blog do escritor do livro que conta a história: http://robertosantiago.blogspot.com
Era assim que o Sr. Anísio Santiago, fazendeiro e produtor da melhor cachaça do mundo pagava o salário dos funcionários. Eles recebiam as garrafas e já tinham compradores dispostos à pagar centenas de reais por elas que hoje custam de 500 a 900 reais. Conheça o resto da história na sequência.
A família Santiago surgiu no município norte-mineiro de Salinas no ano de 1898, século XIX, através do pioneiro José Santiago (1877-1944), filho de Justino Santiago e Anna Maria de Jesus, nasceu na cidade mineira de Diamantina, no Alto Jequitinhonha.

Ainda jovem, em 1894, José Santiago foi estudar medicina em Salvador. Por razões desconhecidas desistiu do curso no segundo ano. Segundo Arlindo Santiago (1910), filho de José Santiago, o motivo da desistência foi a Guerra de Canudos (1896-1897), ocorrida no interior da Bahia, que mobilizou milhares de soldados do governo federal da Nova República para combater o temido Antônio Conselheiro. Em dois anos de conflito milhares de pessoas morreram.
Retornando para Minas Gerais, José Santiago foi morar e trabalhar como professor na cidade de Medina, no Vale do Jequitinhonha. Ali conheceu a baiana Virginia Celestina (1882-1965), natural de Urandi, com quem se casou em 1896.
Em 1898, mudou-se com a esposa para Salinas exercendo ainda a profissão de professor como fazia em Medina. Dois anos depois foi lecionar no povoado de Lagoinha, interior do município. O povoado, naquela época, tinha importância estratégica tendo em vista que era parada obrigatória de pessoas e transportadores de mercadorias em mulas entre Salinas e Montes Claros. Em 1903 adquiriu a fazenda Bonfim, próxima ao povoado, onde fixou moradia, tornando-se produtor rural, além de professor. José Santiago tornou-se pessoa muito assediada na região pelo fato de ter conhecimento de medicina, além de ser professor. Em pouco tempo tornou-se uma espécie de líder do povoado de Lagoinha e região.
Da união de José Santiago e Virginia Celestina surgiu prole numerosa, fato muito comum na estrutura familiar do início do século XX. Foram doze filhos: Antônio Santiago (1897-1950), Maria Santiago (1899-1953), Leôncio Santiago (1901-1945), Silvio Santiago (1912-1986), Santinha Santiago (1908-2001), Arlindo Santiago (1910), Anísio Santiago (1912-2002), José Elzito Santiago (1915-1945), Anita Santiago (1913), Osvaldina Santiago (1917) e Osvaldir Santiago (1919-2007). Dos doze filhos, somente o primogênito, Antônio Santiago, nasceu em Medina; os demais em Salinas.
José Santiago veio a falecer em 1944, aos sessenta e sete anos e a sua esposa, Virginia Celestina, em 1965, aos oitenta e três anos. Foram precursores da família Santiago em Salinas, cujo tronco da árvore genealógica tem origem na região de Diamantina.
Da prole numerosa de José Santiago o destino reservou ao sétimo filho trajetória de vida que o tornaria parte da história de Salinas: Anísio Santiago. Nasceu no dia 2 de fevereiro de 1912, na fazenda Bonfim, zona rural de Salinas. Ali cresceu e viveu sua infância e adolescência ao lado dos pais e irmãos.
Aos doze anos de idade, escondido do pai, experimentou beber cachaça pela primeira vez. Não gostou. Desde então jamais bebeu cachaça em toda a sua vida. Entretanto, quis o destino que a cachaça tivesse importância fundamental em sua vida.
O jovem Anísio Santiago aprendeu vários ofícios. Foi carpinteiro, tropeiro, comerciante, motorista e fazendeiro. Como tropeiro transportou mercadorias em mulas entre Salinas e Montes Claros na década de 1930.
De tropeiro tornou-se motorista de um Ford F-8, que adquiriu no final da década de 1930. Foi um dos primeiros motoristas da região de Salinas e foi testemunha ocular da modernidade que aos poucos chegava através das estradas empoeiradas e esburacadas.
Em 1937, aos 25 anos, Anísio Santiago casou-se com Adélia Mendes (1916-2007), então com 21 anos de idade. Deixou o povoado de Lagoinha e fixou residência na cidade de Salinas, onde continuou a exercer as atividades de comerciante e motorista.
Alguns anos depois, em 1942, comprou a fazenda Havana de um parente no sopé da Serra dos Bois distante dezoito quilômetros da sede do município. Para lá mudou com a esposa. Iniciava nova fase na vida do então jovem Anísio Santiago.
Estabelecido definitivamente na fazenda Havana, um ano depois, começou produzir cachaça no pequeno alambique que existia na fazenda do antigo proprietário. Em pouco tempo a produção de cachaça se tornou a principal atividade econômica da propriedade rural. A cachaça produzida era vendida a granel. Em 1946 constituiu empresa e passou a identificar o seu produto através da marca Havana. A marca foi pioneira na região de Salinas. O produtor Anísio Santiago foi o primeiro produtor de cachaça a identificar a bebida por meio de uma marca, dando origem e personalidade ao produto. Até então os produtores do município e região produziam e vendiam cachaça a granel a comerciantes e tropeiros da região.
Em 1947, adquiriu o caminhão Chevrolet Leadmaster, 1947, no Rio de Janeiro, importado dos Estados Unidos. Ele próprio foi à capital federal buscar o caminhão. Com ele passou a comercializar a sua cachaça em Salinas, região norte-mineira e sul da Bahia. Como produzia cachaça de qualidade logo foi adquirindo fama junto ao consumidor.
Anísio Santiago teve dois fatores decisivos na divulgação do seu produto: a marca Havana (pioneira na região de Salinas) e o caminhão que transportava a bebida diretamente ao consumidor. Com isso saiu na frente dos produtores que comercializam o seu produto a granel. Na década de 1960, vários produtores de Salinas começaram a identificar o seu produto por meio de marcas, de olho no sucesso da cachaça de Anísio Santiago. Viam nele uma referência no processo de produção de cachaça de qualidade, uma vez que a marca Havana tinha grande aceitação na região e a sua fama estava ultrapassando fronteiras. Em função disso logo surgiram várias marcas como a Piragibana, do produtor Ney Corrêa; a Indaiazinha, do produtor Waldete Romualdo; a Seleta, do produtor Miguelzinho de Almeida; a Teixeirinha, do produtor Felismino Teixeira; a Asa Branca, do produtor Juventino Queiroz; a Sabiá, do produtor Juca Marcolino; a Estrela do Norte, do produtor Purdencio Francisco dos Santos; e a Pulusinha, do produtor Narciso Dias Corrêia.
Outro fator determinante para o surgimento de novas marcas em Salinas foi a decadência da cadeia produtiva de cachaça na região de Januária, na década de 1960, século XX, em função da ação gananciosa dos produtores, que não souberam manter a qualidade e tradição da cachaça ali produzida. Até então as marcas de Januária gozavam de alto conceito junto ao consumidor, na região norte-mineira e em todo o Brasil.
Com isso, Salinas foi aos poucos preenchendo lacuna no mercado de cachaça deixado pelos produtores de Januária. Na década de 1970, Salinas foi se impondo regionalmente como grande produtora de cachaça. O clima, solo e a variedade de cana Java, que se adaptou muito bem ao clima da região, foram fatores decisivos em todo o processo. Outro aspecto interessante no crescimento do setor produtivo de cachaça é a marca Havana, na época já reconhecida como marca tradicional, que se tornou um ícone dos produtores da região.
Na década de 1990, a cachaça de Salinas passou por novo e vigoroso processo de expansão da produção, culminando no aumento significativo de marcas em função da implantação do Pró-Cachaça, pelo governo mineiro, em 1992, visando estimular o aprimoramento da cachaça artesanal mineira. E deu certo. O Pró-Cachaça, em pouco tempo, revolucionou toda a estrutura da cadeia produtiva da cachaça artesanal produzida em todo o território mineiro, e em Salinas não foi diferente.
Atualmente, existem mais de 50 marcas de cachaça produzidas no município. A produção já ultrapassa cinco milhões de litros por safra (anual). Tornou-se na importante região produtora de cachaça artesanal de Minas Gerais e do Brasil. Em 2006, foi responsável por 45,87% de toda a arrecadação de ICMS, imposto de circulação de mercadorias e serviços de competência estadual, em todo o território mineiro. O processo de diversificação da economia brasileira ao longo nas últimas décadas vem forjando e incrementando atividades econômicas de produtos típicos da cultura do Brasil no mercado com forte impacto nas economias locais. Salinas encontrou no agronegócio da cachaça uma atividade econômica que vem mudando o perfil de toda a sua economia, contribuindo para o seu desenvolvimento sócio-econômico.
Reconhecendo a cachaça como importante atividade econômica e cultural, o prefeito de Salinas, José Antônio Prates, por meio do Decreto Municipal nº. 3.728/2006, reconheceu a marca Havana, ícone das marcas produzidas no município, como Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas, em face de sua história, qualidade e notoriedade no mercado brasileiro e no exterior. Por meio do decreto, fato inédito no Brasil, o poder executivo municipal reconheceu o feito espetacular do produtor Anísio Santiago, empresário rural que conseguiu dar credibilidade e alto conceito de qualidade em todo o território nacional e no exterior da mais importante e genuína bebida brasileira: a cachaça.
Anísio Santiago foi empresário local que conquistou o mundo não por altas cifras em faturamento e sim pela excelência de qualidade de um produto que foi e continua sendo concebido por método de produção ainda não decifrado pelos produtores de Salinas e de outras regiões de Minas Gerais e do Brasil. O segredo é guardado pelos filhos que vem mantendo o processo de produção pelo mesmo método de origem. Anísio Santiago ultrapassou a barreira de empresário rural norte-mineiro que deu certo. Mais que isso, se tornou no símbolo de bebida que faz parte da história brasileira desde o século XVI, na década de 1530, quando o português Martin Afonso de Souza construiu engenhos na Capitania de São Vicente para a produção de açúcar e cachaça.
A Fazenda Havana, onde é produzida a bebida, se tornou em espécie de reduto sagrado do universo da cachaça brasileira ao longo das últimas décadas. O jornalista paulista Sidnei Maschio afirma que “Em vários lugares ao redor do mundo, as visitas exigem mesmo um ritual específico, coerente com a sacralidade que eles encerram. A Fazenda Havana está nessa lista. A propriedade poderia ser comparada a um templo, pelo papel na recuperação e na divulgação das melhores qualidades da bebida genuinamente brasileira. O universo da cachaça tem duas histórias distintas, uma antes e outra depois da Havana”.
Anísio Santiago foi homem que fez história no seu tempo com a sua lendária Havana. O depoimento de degustadores e especialistas ratificam a aura criada em torno do mítico produtor. Vejamos alguns depoimentos:
“Historicamente, Anísio Santiago trouxe para Salinas, fama e prestígio através da Havana. Soube valorizar a qualidade e agregar valor ao produto em mais de seis décadas de produção.” (JOSÉ ANTÔNIO PRATES, prefeito de Salinas).
“A fama da Havana atraiu para Salinas a atenção do Brasil e do mundo. A capital da cachaça tem o dever de reconhecer o seu maior benfeitor.” (ISRAEL PINHEIRO, político, filho do ex-governador Israel Pinheiro e produtor da Cachaça Cubana em Salinas).
“Anísio Santiago escreveu uma grande história e se tornou uma lenda. Mas há muito mais por trás da saga da produção da cachaça Havana – Anísio Santiago. Para mim uma garrafa de Havana guarda muito mais que uma bebida rara, ela preserva história, memórias e lembranças. Na Fazenda Havana não é produzida apenas uma cachaça. É destilado um sonho, a realização e a perpetuação de um sonho muito antigo”. (JANE SALDANHA, jornalista e repórter do documentário Cachaça de Minas – Programa Planeta Minas, Rede Minas).
“Anísio Santiago é uma lenda para nós. Do reconhecimento efetivo da Havana soube manter espírito investigativo e inovador na produção de cachaça, não se deixando deslumbrar pelo lucro que poderia ter.” (JOSÉ BONIFÁCIO DOS SANTOS, presidente da Confraria Clube da Cachaça de Brasília – DF).
“Se cachaça fosse carro, a Havana seria uma Ferrari.” (MILTON LIMA, fundador do site cachaças.com).
“Pesquisar sobre a cachaça de Salinas, nos últimos cinqüenta anos, forçosamente incluirá a pesquisa da marca Havana. Discorrer sobre essa marca, cuja trajetória é assentada na simplicidade e no capricho quase obsessivo de seu proprietário em manter, ao longo de várias décadas, um elevado padrão de qualidade, invariavelmente requer que se teçam comentários sobre quem a idealizou, cuidou e a construiu.” (ELIAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, mestre em Administração Rural).
“Ainda não acostumei com a ausência de tio Anísio Santiago. Tive o privilégio de conviver com ele na Fazenda Havana por muitos anos quando jovem. Tudo que sei sobre cachaça aprendi com ele. Com a Havana, ele projetou a cachaça de Salinas no Brasil.” (NOÉ SANTIAGO, sobrinho de Anísio Santiago e produtor da Cachaça Canarinha em Salinas).
“Anísio Santiago ia contra as teorias de marketing. Imagine um político ou um vendedor de bugigangas rejeitar aparecer na Rede Globo? Ele não ia atrás de ninguém, as pessoas o procuravam como em romaria, tinha uma personalidade imantada. Inverteu a lógica vulgar e fez um marketing sólido, mais sólido que a nossa moeda. Apesar de ser proibido cunhar dinheiro, que é monopólio do estado, cunhou a Havana, pagando com ela seus empregados e suas compras. Anísio Santiago conseguiu ser uma lenda em vida, mesmo em cidade do interior onde os comentários são quase sempre negativos. ‘Aquele é o Anísio da Havana’, diziam orgulhosos os da terra aos amigos de fora, quando Anísio passava. A marca que criou cresceu e virou fetiche, invertendo a lógica criador criatura, pois a Havana é que era dele, sua subordinada”. (APOLO HERINGER LISBOA, escritor, médico e professor de medicina da UFMG).
“Os filhos e netos de Anísio Santiago estão conscientes da responsabilidade de manter a tradição e o padrão de qualidade adquirido em décadas de produção.” (OSVALDO MENDES SANTIAGO, filho de Anísio Santiago e atual sucessor na produção da Cachaça Havana-Anísio Santiago).
Anísio Santiago faleceu em 22 de dezembro de 2002, aos 91 anos. Em vida foi uma lenda. Transformou-se no maior ícone da história da cachaça brasileira. É impossível falar ou escrever sobre cachaça sem tecer comentário ao seu nome e ao seu feito. Mesmo após a sua morte em 2002, ainda desperta curiosidade em muitas pessoas. Ainda muito se fala e se escreve a seu respeito e do legado que deixou. Deixou grande lição de vida e demonstrou que é possível crescer e construir uma vida respeitável e obter a admiração de todos. Sempre permaneceu fiel aos seus ideais e princípios que acreditou serem verdadeiros.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SANTIAGO, Roberto Carlos Morais. O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago. Belo Horizonte: Cuatiara, 2006, 292 páginas.
fonte: retirado do blog: marketingnacozinha

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Cerveja - marcas e fotos de 116 paises + delirium tremens

Esta achei no blog combustão, buscando algumas curiosidades sobre a cerveja nossa de cada dia. E na busca sobre cervejas belgas, achei uma que tomei uns tempos atras e aproveitando o ensejo da postagem anterior sobre nossas pilsens fraquinhas roubei o texto.
Vejam foto neste blog das cervejas mais populares:
http://www.combustao.org/2008/11/cerveja-pelo-mundo-116-marcas-e-paises/

Texto sobre a cerveja que ja provei:

O que vem à sua cachola quando ouve o termo "DELIRIUM TREMENS"?

Seja o que for, com certeza tem a ver com essa deliciosa cerveja belga.
Ah sim, porque "DELIRIUM TREMENS" é uma "Strong Ale" macia, encorpada, e com uma graduação alcoólica de delirantes 8,5% !Os belgas tem uma relação de amor com suas cervejas que arranca lágrimas dos olhos.
São tantas as variedades - em sua grande maioria, artesanais - que lembra um paraíso onde se quer passar o resto da eternidade...E são sacanas também.
Não é nada incomum encontrar biers de nomes engraçados, provocantes e até blasfemos.
No caso da DELIRIUM, a bagunça começa pelo rótulo, cheio de conhecidos que sempre aparecem em algum estágio da bebedeira. O principal: um elefante rosa. O visual só fica sério quando você nota a garrafa pintada para parecer cerâmica de Köhln (do tipo usado para envasar algumas das mais deliciosas birras do planeta).
O "cervejeiro de churrascos de fim de semana regados a pagode e antarctica (argh!)" vai achar esse néctar um tanto forte. Já o apreciador vai notar que a alta graduação alcoólica é suavemente quebrada por um fundo frutado, mistura de 3 tipos de cevada, bem típico das Ale Belgas.
Embora produzida por uma cervejaria centenária (Huyghe), só foi introduzida no mercado em 1989.
O sucesso é tanto pelo sabor delicioso quanto pela apresentação prosaica, que faz os turistas levarem caixas e mais caixas para os amigos bebuns...Se você ainda não teve a experiência Delirium Tremens, eu desejo que não demore pra isso acontecer.
Mas que seja a cerveja, não o surto...Nota para a belga doidona: 10 com louvores (11, se bebida em plena Grote Markt, a praça mais linda da Terra...)
fonte: conservadonorock.blogspot.com/2009/05/uma-belga-doidona.html

Cerveja - historia


Faz tempo que procurava algo da historia da cerveja. Roubei do site da Ambev.
Hoje aos cinquenta anos estou meio enjoado destas pilsens comuns empurradas gargalo abaixo (de preferencia 600ml) pelas industrias endinheiradas do Brasil. Vale pelo texto.


História da Cerveja
Muitos dos hábitos e das possibilidades que hoje cercam a cerveja brasileira são resultado de uma longa e lenta evolução. Muita coisa mudou – inclusive a própria bebida – desde que os primeiros barris desembarcaram no Rio de Janeiro, nos porões dos navios que trouxeram a Família Real portuguesa para o exílio no Brasil, em 1808.
Sabe-se que o próprio príncipe regente Dom João, notório apreciador da cerveja, foi um dos principais responsáveis por sua difusão. É verdade que a cerveja consumida por Sua Alteza não era exatamente o líquido dourado, brilhante e leve que os brasileiros aprenderiam a saborear. Em vez das loiras geladas, o príncipe apreciava as marcas mais morenas e encorpadas, típicas da Inglaterra. Uma questão de preferência motivada, talvez, pelo desconhecimento de outras possibilidades.

Até chegar ao atual estágio, a cerveja – uma das bebidas mais antigas do mundo – percorreu um longo caminho. Muita gente ainda acredita que o líquido tenha se originado na região da atual Alemanha, de onde teria se espalhado para o restante da Europa durante a Idade Média. A história não é bem essa. Pode-se dizer, sem exagero, que a evolução da bebida confunde-se com a própria história da civilização.
Segundo alguns pesquisadores, mesmo antes de surgirem as primeiras aldeias na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, onde é hoje o Iraque, por volta do ano 3500 a.C., nossos ancestrais já consumiam um líquido alcoólico resultante da fermentação de cereais imersos em água. O que se sabe, com certeza, é que a humanidade aprendeu a fazer cerveja tão logo descobriu uma forma de armazená-la e antes mesmo de dominar a arte de fazer o pão.
Os sumérios e os babilônios foram os primeiros a legar para as gerações posteriores um registro de como se fabricava a bebida. Um monumento conhecido como Pedra Azul, que se encontra hoje exposto no Museu do Louvre, em Paris, datado dos primórdios da civilização suméria, contém inscrições sobre como se produzia a cerveja. Conforme registros que datam de cinco milênios atrás, esses povos dominavam os processos produtivos de mais ou menos 20 tipos de cervejas diferentes. O principal deles dava origem a uma bebida conhecida como Sikaru, utilizada para honrar os deuses e para alimentar os doentes.

O certo é que a cerveja logo se popularizou entre os povos antigos e não tardou a ultrapassar os limites da Mesopotâmia. Dali, o líquido precioso chegou ao Egito, onde passou a ser produzido em larga escala. Arqueólogos que conduziram escavações nas tumbas dos faraós, em meados do século XIX, encontraram entre os objetos de ouro e dos outros tesouros sepultados ao lado os soberanos, cestos e mais cestos abarrotados com os cereais utilizados na produção da cerveja. Um papiro, escrito há mais de mil anos da era cristã, tratava do processo de produção de uma bebida forte, chamada Dizythum, e de uma outra mais fraca, batizada de Busa. Em 1990, descobriu-se nas escavações do Templo do Sol, da rainha Nefertiti, uma enorme cozinha onde se produzia a cerveja à base de cevada, que ainda hoje é o principal malte utilizado na fabricação das cervejas.
Tudo isso dá uma idéia do prestígio que a bebida tinha entre um dos povos mais evoluídos da Antiguidade.
E mais: há registros de que a cerveja era distribuída aos trabalhadores que ergueram as pirâmides – com o objetivo de relaxá-los. Ou seja, desde os tempos mais remotos, o hábito de tomar uma cervejinha depois do batente já era considerado saudável. Tudo isso comprova que os egípcios, de fato, eram mais sábios do que se imagina.
Inspiração divina
De uma forma ou de outra, as bebidas alcoólicas produzidas a partir da fermentação de cereais e outras plantas eram conhecidas em diversas partes do mundo. Em algumas regiões da África, produziam-se bebidas a partir de gramíneas nativas como o sorgo e o milheto. Os chineses dominavam um processo de fabricação mais avançado do que o egípcio e produziam uma cerveja à base do arroz.
A civilização asteca, que floresceu onde hoje é o México, e os próprios índios que viviam nas matas que viriam a se tornar o Brasil tinham suas bebidas fermentadas.
O líquido criado pelos habitantes primitivos da nossa Pindorama era obtido a partir da fermentação da mandioca. Mas o certo mesmo é que o processo do qual se originou a cerveja que hoje conhecemos foi aquele desenvolvido no Egito e que chegou à Europa no alvorecer da Era Cristã, levado pelos conquistadores romanos, que se encarregaram de espalhá-lo pelo seu vasto império.
No século I d.C., a cerveja já era produzida pelos antepassados dos alemães e dos franceses. E logo alcançou outras regiões do continente.

A Idade Média, vista por muita gente apenas como um período de trevas, também teve seus momentos iluminados. Foi naquela época, mais precisamente entre os anos 700 e 800, que a cerveja passou a ser produzida nos mosteiros e deu os primeiros passos para tornar-se esta bebida nobre, de sabor ligeiramente amargo. Foram os monges da era medieval os responsáveis pela adição do lúpulo à fórmula da cerveja – o que, sem dúvida alguma, deve ser visto como um sinal de inspiração divina. Hoje, as dezenas de variedades dessa planta estão presentes na grande maioria das cervejas conhecidas no mundo. A intervenção dos monges representou um passo importante não só no aperfeiçoamento do sabor, mas também na conservação da bebida.

Explica-se:
As cervejas mais antigas, preparadas segundo um processo extremamente rudimentar, tinham um ciclo de vida muito curto. Adicionava-se água ao malte e, depois, alguns aromatizantes que podiam ser a camomila, o coentro, a canela, o gengibre, o zimbro, o açafrão e até mesmo o pêssego. Essa mistura era posta para fermentar – e nesse processo se formava o álcool e o gás carbônico característicos da bebida. Os monges descobriram que o lúpulo não apenas empresta à cerveja o sabor amargo que a caracteriza nos dia de hoje como, também, impede que se deteriore num período muito curto de tempo. Ou seja, além de sofisticar o gosto, esse ingrediente comprovou-se um conservante natural e de ótima qualidade.
Graças à adição do lúpulo à sua receita, a bebida se disseminou pela Europa, vindo a adquirir, com o tempo, as características regionais que deram fama às cervejas de diversas partes do mundo. A Inglaterra, a Irlanda, a Holanda e a Bélgica são berços de algumas cervejas de excelente qualidade e de ótima reputação.

Nem todas, no entanto, são feitas da mesma maneira.
Assim como os antigos egípcios tinham a Dizythum, uma bebida mais forte, e a Busa, mais suave, as cervejas modernas também se dividem, basicamente, em duas grandes famílias. De um lado estão as do tipo Ale, como são conhecidas as cervejas de alta fermentação. Do outro, as Lager, de baixa fermentação. É desse segundo ramo genealógico que se origina o tipo de cerveja mais apreciado no Brasil.
Bebida shakespeariana
Em sua obra, Willian Shakespeare faz 14 menções à palavra “Ale” e cita cinco vezes a palavra “beer.” Isso nos leva a duas conclusões: uma é que no tempo de Shakespeare – ele viveu de 1564 a 1616 – a cerveja já era uma bebida muito popular; a outra é que além de gênio, o dramaturgo era um homem de bom gosto.

fonte: http://ambev.com.br/soc_01.htm

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Açai / Luis da Camara Cascudo - Cimples Ocio Pará


Aproveitando que tenho que entregar o livro a Bibloteca Publica aqui em Curitiba (está atrasado dia 13) e gostaria de incluir algumas bebidas regionais tanto na degustação dos Umbigueiros na reunião das terças como no cardapio permanente nos eventos do Cimples Ócio segue um resumo do capitulo 40 do livro Antologia da alimentação no Brasil. É mais um livro do Luis Camara Cascudo que muito colaborou para a historia e costumes do povo e da culinária brasileira, este com diversas colaborações. Tem algumas coisas sem graça, midiaticas diria eu, mas tem textos que dá para co-relacionar história da culinária com a do povo brasileiro:


Açai, a bebida do Pará (resumo)
Quem vai ao Pará
Parou . . .
Bebeu açai,
Ficou.

Fruto da palmeira Futerpe oleracea.

Setembro de 1848 - Alfred Russel Wallace: "... bebida muito apreciada pelo povo, é que é, de fato, muito boa, quando a ela nos acostumamos. . . . e sua popla, muito delgada e pouco perceptivel. é que é aproveitada. . . . que se come com açucar e farinha. Com seu uso torna-se muito agradavel ao paladar. . . . vendida nas ruas, durante o ano todo.

Robert Avé-Lallemant - junho de 1859: "Açai! Açai-i-si! ...encontra numa panela um molho cor de vinho, um caldo de ameixas. . . . Este molho cor de vinho é na margem do rio Pará exatamente o mesmo que o mate no Rio Grande do Sul e nas republicas espanholas, o café fraco para as mulheres do Norte e o chá para as damas histéricas. . . . o principal alimento do povo.

Pesquisando "o folclore bairrista" Joao Ribeiro exumou ua literatua adversa às excelências do açai são, salientando-se Verbrugghe, francês dispéptico. "As virtudes do açai são, entretanto, muito problematicas. É uma bebida detestavel, só usada da plebe e que apenas se encontra nas mercearias e tendas menos frequentadas da cidade, nos botequins baratos.

Fonte:

Livro: Antologia da alimentação no Brasil - Luis da Camara Cascudo (organizado por), Livros Tecnicos e cientificos 1977 (Raizes do Brasil) - acervo: emprestimo Biblioteca Pública do Parana - janeiro 2009